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Dia do Trabalho: entre o labor, o repouso e o propósito – Por Sandra Kucera

Rio de Janeiro, 1 de maio de 2026.

Tenho para mim que o 1º de Maio, à despeito da universalidade da data, é celebrado por motivos diversos, a começar pelo foco conferido à efeméride conforme seja chamado: Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador.

Quando nos expressamos em termos da atividade geral, Trabalho, estamos nos referindo a toda ação útil, construtiva, propositiva e mantenedora, seja ela cultivar um jardim ou horta, varrer a casa, cuidar dos filhos ou projetar uma cidade. Celebrando o Trabalho, estamos celebrando a alegria de aprender e servir, de empreender e progredir, material e intelectualmente.

Ao escolhermos a expressão Dia do Trabalhador, estamos estabelecendo foco naquele que desempenha a atividade e, de certa forma, estamos fazendo um recorte com foco no operário, talvez por conta da origem da data, que se encontra à época da Revolução Industrial, em um tempo onde os termos contratuais, em especial a jornada de trabalho, ainda buscavam equilíbrio.

O primeiro conceito nos parece mais amplo e inclusivo, pois contempla do operário ao dono da fábrica, do estudante ao professor, da diarista à mãe que educa seus filhos. Nesta escolha estabelecemos uma referência positiva sobre o Trabalho, enquanto que o segundo conceito, originário da luta de classes, traz uma conotação mais pesarosa, quase um fardo.

Importante também refletirmos que o conceito de Trabalho vem atrelado ao de Repouso. Neste ponto preciso que é se faça menção ao primeiro código trabalhista de que se tem notícia: o quarto mandamento da Lei Mosaica, recebido no Sinai: “Guardai o dia de sábado”. Em Deuteronômio, capítulo 5, lê-se a determinação: “em seis dias farás toda a tua obra”, declarando que a obra humana, a vida material, deve ocupar 6 dos 7 dias da semana e o sétimo deve ser “guardado para o Senhor”.

O que isso representa?
Em uma camada mais superficial de análise, significa que devemos intercalar trabalho e repouso a fim de restaurar as forças do corpo físico mas, aprofundando a reflexão, que a vida humana deve ocupar-se do alimento do corpo mas também do alimento da alma, numa proporção de 6 x 1, a mesma utilizada pelo Criador na edificação da Sua obra, conforme narrado em Gênesis.

Em um mundo onde ainda há tanto por fazer e corrigir, é compreensível que 85% do tempo seja dedicação material. Viemos para promover o Progresso, através do Trabalho, mas a mais importante de todas as tarefas é a que Deus opera por dentro enquanto operamos por fora: a iluminação interior.

Preciso é que retiremos o espírito da letra, pois não se trata de oferecer ao Senhor apenas 15% do nosso tempo na Terra, mas de lembrar que o tempo é concessão divina e parte dele deve ser oferecido ao Senhor para que Ele realize a Sua obra em nós, e as duas coisas acontecem ao mesmo tempo e o tempo todo.

Um último aspecto que gostaria de destacar, especialmente nesses tempos de discussão sobre jornada de trabalho é o que afirmaram amigos de outras plagas a um certo filósofo do século XIX quando inquiridos sobre qual seria o limite do trabalho, ao que responderam que seria “o das forças físicas”. Compreendendo o trabalho como toda ocupação útil, essa afirmação faz total sentido, pois descanso nem sempre diz respeito a ócio, podemos encontrá-lo na troca de atividades. Quem não encontraria descanso, depois de um dia atribulado, no cuidado de um jardim ou em um trabalho manual?

Quando a dúvida persistir, sobre qual deva ser nossa atitude perante a vida, frente à seara vasta do mundo, sob as mais diversas formas e carências, a aguardar o concurso de lavradores dispostos, basta reflitamos na atitude do Senhor que, a despeito de ser o artífice da Terra, manteve-se na carpintaria por quase duas décadas e, após o início do seu Ministério Divino, afirmou aos seus apóstolos: “Meu Pai trabalha até agora e Eu trabalho também”.

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