π£Γπ¦ππ’π β Por Sandra Kucera
DEUS Γ© O Criador.
O Verbo Γ© o executor da Sua Vontade entre os homens.
Desde as eras mais remotas Γ© Jesus quem preside e conduz os nossos destinos e, de maneira muito especial, tutelou os passos de Israel, o povo escolhido para a manifestaΓ§Γ£o de Deus entre a humanidade.
Como divino Escritor estabeleceu, atravΓ©s da histΓ³ria do povo hebreu, o arquΓ©tipo da jornada do homem na Terra. Neste livro que sela os nossos destinos, a LibertaΓ§Γ£o do povo do cativeiro do Egito (a PΓ‘scoa Judaica) representa capΓtulo de especial relevΓ’ncia.
Quando MoisΓ©s, depois de ter se ausentado do Egito, apascentava ovelhas e fora surpreendido com o EspΓrito do Senhor que, queimando em uma sarΓ§a que nΓ£o se consumia, conclamou-o Γ libertaΓ§Γ£o do Seu povo, era Jesus a lhe falar. Era o inΓcio de uma histΓ³ria cujo roteiro foi divinamente construΓdo a fim de que Ele mesmo pudesse vir e protagonizar, em pessoa, a LibertaΓ§Γ£o Maior de que era portador.
Obediente e fiel ao chamado, retorna MoisΓ©s ao Egito a fim de cumprir a vontade do Senhor. O coraΓ§Γ£o endurecido do FaraΓ³ nΓ£o atendeu o pedido daquele que fora seu irmΓ£o pelos laΓ§os do afeto, Deus entΓ£o encaminha as chamadas “pragas” a fim de que ele modificasse suas disposiΓ§Γ΅es Γntimas e aquiescesse com MoisΓ©s. Nenhuma o demoveu, atΓ© que sobreveio a ΓΊltima.
O Anjo da Morte passaria por sobre o Egito e levaria consigo os primogΓͺnitos de todas as famΓlias. E, afim de SALVAR os filhos dos hebreus, eis que o Senhor (Jesus) novamente aparece a MoisΓ©s e lhe ordena que orientasse cada famΓlia a separar um CORDEIRO PURO e IMACULADO, ISENTO DE DEFEITO, para que fosse SACRIFICADO ao entardecer daquele dia. Que, com o seu SANGUE, fossem MARCADAS todas as casas do seu povo e que se alimentassem da sua carne, pois seria o SUSTENTΓCULO para a Γ‘rdua jornada que haveria de comeΓ§ar.
E assim foi feito.
O filho do FaraΓ³ perece e ele, rendido pelo sofrimento, concede a libertaΓ§Γ£o, ainda que por um breve tempo.
Tem inΓcio o ΓXODO, rumo Γ Terra Prometida pelo EspΓrito do Senhor (novamente Jesus), jornada narrada em livro homΓ΄nimo que teria duraΓ§Γ£o de quarenta anos, atravΓ©s do DESERTO e sob dificuldades de toda sorte.
A histΓ³ria estava escrita, o roteiro estava pronto, e fora revivido e celebrado por cerca de 1300 anos, passando de geraΓ§Γ£o em geraΓ§Γ£o, contando a todos como, um dia, o sangue de um CORDEIRO havia SALVADO e sua carne SUSTENTADO seu povo atravΓ©s da ARIDEZ do DESERTO.
EntΓ£o vem Jesus.
E preenche de Vida a Lei.
Protagoniza o roteiro que Ele mesmo escreveu afim de, chegada a hora oportuna, pudesse Ele ampliar o significado daquela PΓ‘scoa e pudesse Ele efetivar o convite a uma LibertaΓ§Γ£o muito mais profunda: da estreiteza dos limites da carne para os infinitos horizontes com Deus.
Surpreenderam-se os doutores da Lei quando lhes falou o Senhor de que “aquele que vive no pecado Γ© escravo do pecado”. Sendo descendΓͺncia de AbraΓ£o e fiΓ©is cumpridores de 613 preceitos da Lei Mosaica, nΓ£o podiam aceitar estarem cativos do pecado. A ΓΊnica libertaΓ§Γ£o que aceitavam e esperavam do Messias era a do jugo romano.
Desejam que o Cristo se reduzisse ao tamanho das suas expectativas terrenas.
NΓ£o serΓ‘ este o nosso engano ainda hoje? Desejamos ardentemente a libertaΓ§Γ£o dos tiranos externos que nos constrangem a matΓ©ria enquanto permanecemos cativos dos tiranos interiores que efetivamente nos mantΓ©m agrilhoada a alma.
Mas nΓ£o apenas os fariseus assim pensavam, a multidΓ£o daqueles que haviam conhecido Jesus, que tinham sido por Ele amados e curados, tambΓ©m pediram Sua crucificaΓ§Γ£o quando perceberam que JerusalΓ©m abarrotada nΓ£o seria liderada por Ele para uma revolta aos moldes humanos contra os romanos.
E o Cordeiro de Deus aceitou o sacrifΓcio, pois para isso viera, para nos ensinar sobre uma vitΓ³ria diferente das que almejamos, imperecΓvel e definitiva, que nΓ£o compactua com o mal afim de obter vantagens e proteΓ§Γ£o efΓͺmeras e passageiras. Antes nos mostra, ao terceiro dia, a Terra Prometida onde Ele jΓ‘ nos espera, a RessureiΓ§Γ£o Eterna, o corpo glorificado quando, tendo vencido todos os tiranos dos nossos coraΓ§Γ΅es, nossas mazelas e grilhΓ΅es, purificados em EspΓrito, estaremos aptos ao banquete celestial, ao lado dEle.
Cristo inaugura um novo Γxodo, atravΓ©s do deserto Γ‘rido dos nossos coraΓ§Γ΅es, onde Sua Vida e Sua Palavra sΓ£o o alimento que nos sustenta, e o Seu sangue, que Γ© o sΓmbolo do EspΓrito Purificado, nos salva por nos oferecer a certeza da vitΓ³ria, como marca indelΓ©vel na alma de quem O recebeu, tal como o foi nas casas dos hebreus, constitui escudo de coragem e fortaleza contra todos os males do mundo que tornam-se incapazes de alcanΓ§ar a alma que O recebeu no coraΓ§Γ£o, como Caminho para o Pai, Verdade e Vida em plenitude.

