Por uma sociedade apta a defender a liberdade, preservar sua história e construir um futuro digno, íntegro e próspero.

Instituto Civitas

Por uma sociedade apta a defender a liberdade, preservar sua história e construir um futuro digno, íntegro e próspero.

A PIOR ESCRAVIDÃO

Por Sandra Kucera

Há exatos 135 anos, em 13 de maio de 1888, a Lei Áurea, que abolia definitivamente a escravidão no Brasil era sancionada pela inolvidável Princesa Isabel.

Como em todas as transformações profundas que o homem ou a sociedade precisam enfrentar, para que sejam de fato perenes, foi necessário um processo de aceitação geral, ou da maioria da população.

Antes dela, várias outras leis brasileiras foram preparando terreno para a abolição definitiva, sendo as três principais a Lei Eusébio de Queirós (1850), que determinava o fim do tráfico (outrora comércio) de escravos, a Lei do Ventre Livre (1871) que tornava livres todos os nascidos de mãe escrava a partir da sua promulgação e a Lei dos Sexagenários (1885) que determinava que todo escravo, ao completar sessenta anos, passaria a ser livre.

Dessa maneira, as resistências à necessária medida foram aos poucos enfraquecendo, ao tempo que crescia e se fortalecia uma mentalidade de Liberdade. O sentimento abolicionista atingiu a maturidade no seio da sociedade e chegou-se ao ponto de formalização da extinção legal da escravidão no Brasil, sem os traumas e rupturas violentas experimentados por diversos países à época.

Passadas algumas décadas, eis que nos encontramos em franco retorno à condição de cativos. Não mais pela cor da pele ou por determinação de leis, mas por condicionamento do próprio pensamento, o que representa a pior forma de escravidão.

A estratégia utilizada na condução da abolição no Brasil, qual seja a do avanço paulatino em direção à consolidação de uma mentalidade favorável ao intento, não é novidade e tampouco se aplica apenas aos bons e sadios propósitos. Com acentuada aceleração na última década, e sementes trazidas do pós Segunda Guerra Mundial, temos sido conduzidos ao verdadeiro aprisionamento mental, entregando deliberadamente nossa liberdade a grupos e governos.

Fomos habilmente divididos em guetos e “tribos”, a primeira fase da estratégia, induzidos a uma identificação por particularidades que nos caracterizam, mas não nos definem.

Como na abolição brasileira, agora no sentido inverso, da liberdade para a escravidão, um pensamento mais ou menos geral de aceitação é a meta a ser alcançada. Situações discriminatórias e preconceituosas, pontuais e em claro declínio no Brasil, são exploradas e amplificadas, com a clara intenção de dividir para conquistar.

Transformados em vítimas modernas e instigados a buscar direitos, cidadãos que caminhavam para um encontro futuro se viram tomados de ódio. Tal como num braseiro, cuja ação do tempo fatalmente conduz à extinção da chama, passamos a levar lenha nova e seca, tornando acesa a fogueira da discórdia e da beligerância.

Assim, negros, pardos e índios passaram ao confronto com brancos. Homens e mulheres, antes unidos por Deus em propósitos complementares na construção de famílias, passaram a disputar os mesmos espaços. A tendência sexual dos indivíduos, antes restrita à esfera íntima da vida de cada qual, passou a ser motivo para o enfrentamento e à imposição de novos hábitos.

Pobres de recursos materiais passaram a desconsiderar a riqueza da amizade, da fé, do trabalho e da saúde, da qual muitos eram portadores, focando na inveja e no ódio aos ricos de dinheiro, muitas vezes pobres de alma. Filhos colocados contra seus pais, alunos contra professores, obesos contra magros… a lista não tem fim.

Cada um desses grupos tem sido conduzido à pior forma de escravidão que se possa imaginar: o cativeiro do próprio pensamento, preso em uma realidade utópica. Jamais leis e decretos humanos vão resolver situações da maturidade da alma, que somente a ação do tempo e a evangelização dos corações é capaz de harmonizar.

Sócrates, às vésperas da morte injusta, sentia-se plenamente livre em sua consciência. Paulo apóstolo sentia-se plenamente livre em suas reiteradas prisões, afirmando que era tão somente um prisioneiro voluntário do Cristo. E Ele, Jesus, expirando em plena Cruz, foi o mais livre de todos os homens de que se tem notícia.

O que dizer da nossa sociedade?

Pobres, débeis e lastimáveis seres que se impõem amarras mentais que lhes impedem a marcha do progresso, que é a vontade de Deus, servindo a homens que lhes mantém cativos através de migalhas de pão, ou palavras recobertas de um fino verniz de pseudo-empatia.

Não se trata de negar dificuldades inerentes a determinadas circunstâncias, mas de compreender que elas não serão resolvidas pela força e o constrangimento. Os que divulgam tais promessas são exatamente aqueles que não desejam ver livre o seu povo.

Os que vivem e enfrentam tais desafios têm a possibilidade de se fortalecer no caminho, ou de sucumbir ao canto da sereia. Na primeira alternativa se tornarão seres humanos melhores, em paz consigo e com os outros. Na segunda, serão apenas corações repletos de ressentimento e amargura, em qualquer condição material ou social.

Elevo hoje meu pensamento às figuras de D. Pedro II e de Princesa Isabel, rogando que intercedam por nós junto a Jesus, pois temos deliberadamente buscado novos grilhões (não mais tangíveis), contra os quais tanto trabalharam para que pudéssemos deles nos libertar.

One thought on “A PIOR ESCRAVIDÃO

  1. Excelente matéria, sendo competa em seu estilo, raciocínio e rumo. Realmente nos alerta para o perigo da perda da liberdade, nos direciona para a reação coerente, pacífica e inteligente. Forma as pessoas a entender a verdade através de um fato histórico maravilhoso e marcante. Meus muitos aplausos.👏👏👏💚💛🇧🇷🌻👉

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