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Por Guilherme Azevedo
A exaltaรงรฃo ร โigualdade de oportunidadesโ como um objetivo alcanรงรกvel foi lanรงada pelos socialistas-progressistas no bojo da criaรงรฃo do Estado Social e da consequente defesa de que a isonomia – igualdade formal perante ร lei – era insuficiente para garantir justiรงa social. Assim, conseguiram redefinir o significado de igualdade no รขmbito jurรญdico, criando o conceito de igualdade material que seria a adequaรงรฃo do direito ร s peculiaridades dos indivรญduos, com o objetivo de igualar as pessoas que, essencialmente, sรฃo desiguais.
Mas os progressistas, como sรฃo materialistas, nรฃo se satisfazem com a igualdade perante as leis, tampouco com a igualdade material; querem igualdade social, entรฃo, acusam de injustiรงa social o fato de algumas pessoas conseguirem acumular um patrimรดnio maior que outras, ter uma remuneraรงรฃo melhor que outras ou ter um padrรฃo de vida melhor que outros.
Nesse ponto, identifica-se uma das muitas incoerรชncias progressistas, pois, embora aleguem admirar a diversidade humana, eles pregam guerra contra a desigualdade social que, em grande medida, รฉ reflexo da conjugaรงรฃo da diversidade (que dizem apreciar) com o aperfeiรงoamento da capacidade de geraรงรฃo de riqueza da sociedade. As pessoas sรฃo diferentes nรฃo apenas em suas aparรชncias, mas tambรฉm em suas personalidades e processos internos de tomada de decisรฃo. Assim, justamente por serem diferentes, fazem escolhas diferentes e, consequentemente, atingem resultados diferentes. Logo, a desigualdade รฉ mero reflexo da natureza humana. A รบnica desigualdade que deve ser combatida รฉ a legal, causada, via de regra, pela atuaรงรฃo do Estado.
Voltando ร mentalidade progressista, sob o pretexto de lutar contra a desigualdade social, eles desenvolveram a tese de que รฉ necessรกrio buscar a igualdade de oportunidades e, naturalmente, passaram a exigir a utilizaรงรฃo do poder coercitivo estatal para alcanรงar tal objetivo.
Em nosso cotidiano, muitos que citam igualdade de oportunidades no รขmbito do discurso polรญtico se referem, na prรกtica, ao sistema educacional. Defendem que a igualdade de oportunidades seria alcanรงada com a oferta de educaรงรฃo de qualidade para todos, pois, assim, haveria igualdade na largada (ou na partida). Esse argumento รฉ tambรฉm utilizado, por muitos, para repudiar a meritocracia sob a alegaรงรฃo de que seria injusta se o ponto de partida nรฃo for o mesmo.
Porรฉm, ainda que se atingisse esse cenรกrio em que 100% das crianรงas tivessem acesso a uma educaรงรฃo de qualidade (o que seria รณtimo e deveria ser o objetivo de toda a sociedade), isso nรฃo corresponderia ร situaรงรฃo de igualdade de oportunidades, apenas caracterizaria a disponibilizaรงรฃo de boas oportunidades a todos.
Ainda que todas as escolas tenham um bom nรญvel, os nรญveis destas nรฃo seriam iguais, logo, nรฃo se alcanรงaria a igualdade de oportunidades. Ainda que todas as crianรงas tenham bons professores, os professores nunca seriam iguais, assim, tambรฉm nรฃo alcanรงaria a requerida igualdade.
Podemos extrapolar o raciocรญnio. Supondo, utopicamente, que fosse possรญvel atingir um estado de coisas em que todas as escolas e todos os professores prestassem serviรงos de igual qualidade para todas as crianรงas, ainda assim, nรฃo se atingiria a igualdade de oportunidades, pelo simples fato de que os pais e a estrutura familiar das crianรงas sรฃo diferentes.
Portanto, para alcanรงar a quimรฉrica โigualdade de oportunidadesโ, o governante teria que, a cada fracasso em suas tentativas, tomar atitudes ainda mais radicais e invasivas das liberdades, avanรงando, inclusive, sobre o direito de cada famรญlia na educaรงรฃo de seus filhos.
Para atingir essa tal igualdade, o governante poderia entender necessรกrio retirar todas as crianรงas de suas famรญlias ao nascer e criรก-las como robรดs em quartรฉis e, ainda assim, teriam que conseguir que todas essas crianรงas recebessem a โeducaรงรฃoโ de apenas uma fonte.
Estou certo que as pessoas que defendem a busca por igualdade de oportunidades nรฃo defenderiam tais absurdos. Logo, nรฃo faz sentido defender essa tรฃo exaltada igualdade de oportunidades.
Sendo assim, buscar igualdade na partida ou na chegada รฉ uma utopia utilizada pelos coletivistas para justificar os avanรงos estatais sobre as liberdades dos cidadรฃos. Igualdade na partida ou na chegada รฉ impossรญvel. A รบnica igualdade possรญvel รฉ aquela perante a Lei.
Portanto, devemos rejeitar a ideia de igualdades de oportunidades e defender a promoรงรฃo da abundรขncia de oportunidades. E, nesse sentido, nunca existiu, na histรณria da humanidade, um sistema mais eficiente para criaรงรฃo de oportunidades do que aquele que garanta aos cidadรฃos o direito ร propriedade privada legitimamente adquirida e liberdade econรดmica e polรญtica.
