Por uma sociedade apta a defender a liberdade, preservar sua história e construir um futuro digno, íntegro e próspero.

Instituto Civitas

Por uma sociedade apta a defender a liberdade, preservar sua história e construir um futuro digno, íntegro e próspero.

Não mergulhemos nesta piscina sem água que é a ordem global.

Texto de Gerson Gomes, em 4 de janeiro de 2019

Ao iniciar o discurso de posse, o novo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, advertiu: “eu vou dizer [algo] um pouco diferente do que os senhores estão acostumados a ouvir”. O Chanceler referia–se ao texto bíblico, lido fluentemente em grego, que usou como espinha dorsal de seu primeiro pronunciamento: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Não foi o uso do idioma grego, ou do Tupi-Guarani em alguns momentos, que tornaram seu discurso singular. Tampouco foram as citações de letras de Raul Seixas e Renato Russo que causaram estranheza ao ambiente da alta cultura diplomática. O que soou incontestavelmente diferente aos ouvidos poliglotas de seus pares, hábeis atores nas mais diversas instâncias do multilateralismo, foi o vigoroso e direto ataque de Araújo contra o Globalismo: “Não estamos aqui para trabalhar pela ordem global, estamos aqui pelo Brasil”.

O corpo diplomático brasileiro já conhecia a definição pessoal e ideológica de Araújo, constante de seu blog: “Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural”. Havia, no entanto, a expectativa de que o novo ministro traduzisse a intenção do Presidente de “livrar o País do socialismo” em linguagem técnica mais palatável à comunidade internacional. Ledo engano. Com a mesma veemência de Paulo Guedes, considerado pela mídia jornalística como um “Super Ministro” do governo Bolsonaro, o principal representante do Brasil nas Relações Exteriores afirmou:

“Somos um país universalista, é certo, e, a partir desse universalismo, iremos construir algo bom e produtivo com cada parceiro. Mas universalismo não significa não ter opiniões, não significa que devemos agradar a todos. Queremos ser escutados, mas não por repetir alguns dogmas insignificantes e algumas frases assépticas.”

“Não mergulhemos nesta piscina sem água que é a ordem global.”

Com as palavras de Araújo, não restou nenhuma dúvida para os analistas da geopolítica mundial que as presenças (inéditas no Brasil) dos Primeiros Ministros da Hungria – Viktor Orbán e de Israel – Benjamin Netanyahu não foram protocolares. O Brasil passou a ser reconhecido como o mais novo integrante do grupo conservador internacional.

A Internacional Progressista, plataforma promovida pelo Senador norte-americano Bernie Sanders e pelo economista grego Yanis Varoufakis, já havia diagnosticado os efeitos das vitórias eleitorais de Donald Trump nos EUA, do vice-premiê italiano Matteo Salvini e de Jair Bolsonaro. Intelectuais socialistas reunidos no Instituto Sanders apontaram “uma guerra global em curso contra trabalhadores, o meio-ambiente e a democracia”, propondo a formação de uma rede internacional de esquerda que rebata a surpreendente maré da direita.

Em seu discurso, Ernesto Araújo não camuflou em nenhum momento que as relações internacionais brasileiras passarão por importante transformação. As menções elogiosas a Israel, aos EUA (que enviou ao Brasil o Secretário de Estado Mike Pompeo), aos que enfrentam “a tirania na Venezuela” e aos países latino-americanos que “se libertaram dos regimes do Foro de São Paulo” apontam para mudanças significativas em relação à política externa petista e, inclusive, de Fernando Henrique Cardoso (FHC).

A despeito dessa crítica ostensiva à principal aliança política de esquerda da América Latina, fundada por Lula e Fidel, cabe ressaltar a presença dos Chefes de Estado da Bolivia e do Uruguai na cerimônia de posse de Bolsonaro. Mesmo com nítidas divergências políticas, Evo Morales e Tabaré Vazquez optaram por comparecer à cerimônia, adotando posturas pragmáticas diante da importância econômica do Brasil para suas nações.

Nesse tema, Araújo afirmou que o Itamaraty adotará um perfil mais engajado na promoção do agronegócio, do comércio, dos investimentos e da tecnologia: “O Itamaraty havia se distanciado do setor produtivo nacional, mas agora estaremos juntos, como nunca estivemos”.

O novo chanceler brasileiro citou o filósofo Olavo de Carvalho como “um dos responsáveis pela imensa transformação que o país está vivendo”.

Em perfeita sintonia com as pautas conservadoras do Presidente, Araújo ressaltou que o Itamaraty defenderá direitos básicos da humanidade e classificou como “principal o direito de nascer”.

“Aqueles que dizem que não existem homens e mulheres são os mesmos que pregam que os países não têm direito a guardar as suas fronteiras, são aqueles que propagam que um feto humano é um amontoado de células descartável, são os mesmos que dizem que a espécie humana é uma doença que deveria desaparecer para salvar o planeta. Por isso, a luta pela nação é a mesma luta pela família, e a mesma luta pela vida e pela humanidade”.

4 thoughts on “Não mergulhemos nesta piscina sem água que é a ordem global.

  1. Excelente e sempre atual mensagem. Para ser lida e relida com frequência a fim de que possamos compreender O QUÊ vivemos, contra O QUÊ lutamos e O QUÊ precisa da nossa defesa e engajamento.

  2. Texto claro é muito bem escrito nosso país sempre foi “Livre” e liberdade não tem negociação precisamos convergir a Sociedade do Bem para o equilíbrio e a sensatez contra os que querem dominar para escravizar nosso querido Brasil . O povo unido jamais será vencido mesmo contra as forças do “ mal” que vem atacando o nosso Presidente e sua governança … ficaremos de olho bem abertos contra a mazela dos políticos corruptos e anti-Patriotas .

  3. O Brasil perdeu um grande Ministro, mas não foi por vontade dos brasileiros, mas pressão politica da oposição que usou de argumentos baixos e fracos para tentar desestabilizar o Governo BOLSONARO.

    Sou BOLSONARIANA, CONSERVADORA e FÃ do Ex-Minístro ERNERNO ARAÚJO.

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