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Instituto Civitas

Por uma sociedade apta a defender a liberdade, preservar sua história e construir um futuro digno, íntegro e próspero.

Cristianismo e Socialismo

Por Sandra Da Silva Kucera*

Não é de hoje que muitos cristãos sinceros e de boa-vontade, associam o Cristianismo ao Socialismo, como se este fosse uma espécie de “meio” para alcançar o primeiro. Este texto constitui singelo esforço de resgate dos fundamentos cristãos a fim de que o leitor estabeleça seus próprios raciocínios e alcance suas conclusões.

Em primeiro lugar é preciso resgatar a pureza da doutrina cristã, que não carece de enxertos humanos para alcançar seus fins. A observação rápida das teses socialistas, sem esta premissa basilar claramente estabelecida, pode conduzir o leitor menos atento a esta associação, pois como todo elemento humano que precisa convencer para se estabelecer, também a doutrina socialista se apresenta revestida de propostas irrefutáveis, como a bondade e a justiça. Se calibrarmos melhor o olhar e aproximarmos mais nossa lente, perceberemos a primeira incongruência: a justiça proposta se alicerça numa igualdade utópica, pois que a marca da Criação é a multiplicidade das formas, embora em essência e destinação (filiação Divina), sejamos iguais. Uma meia-verdade, mais letal que uma mentira expressa.

Um simples (mas honesto) raciocínio bastaria para dirimir esse ponto: precisaria Deus (Criador) o concurso dos homens (criaturas) para alcançar Seus fins? Ou são os homens que não podem prescindir do Cristo para alcançar a Deus?

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14:6).

Mas os homens, infantes e rebeldes de espírito que ainda somos, carecem de alternativas materiais, concretas e ilusoriamente mais rápidas. Tomando o lugar de Deus na Criação, passam então a propor, de si para os seus, afastando Deus da ordem das coisas, teorias salvacionistas de regeneração da Terra. Oras, não encontramos aqui exatamente o engano de Adão?

Ainda hoje recusamos o Messias da tradição do profeta Isaías, o “servo sofredor”, porque ainda desejamos o Messias revolucionário, ideal de nossas mentes ainda incapazes de transcender, que viria aos homens lutar como homem, esquecendo que Ele está ACIMA dos homens.

Jesus Cristo é o Anjo que se fez Homem, para que os homens se fizessem cristos.

Tudo que Deus cria, possui ESPÍRITO DE SEQUÊNCIA, não há saltos em se tratando do Criador. Como imaginar que o Seu Filho viria derrogar as Suas Leis?

Vejamos a natureza: colhe-se frutos de laranjeira nascente? Forma-se a pérola sem o concurso do tempo? Estabiliza-se o manto da Terra sem o concurso das eras? Tudo é processo, nada é revolução. E o tempo não respeita as edificações que não ajudou a construir.

Entre as ciências humanas desenvolve-se o conhecimento através do esforço compartilhado de gerações e gerações. A Astronomia se descortina, a biologia se reconhece, a Geografia se estabiliza, a História se apresenta, bem como o progresso das relações econômicas e sociais, legando ao homem a manutenção do que foi consagrado pelo uso e dele demandando a transformação do que não o foi.

Os animais são guiados pelo seu instinto e há milhares de anos constroem suas casas, polinizam os campos e empreendem as migrações sem que ninguém os precise ensinar.

A revolução faz parte do imaginário do homem cuja fé ainda não experimentou a forja do tempo nem a honestidade da avaliação mais simples das coisas que são criadas. Ou talvez seja mesmo filha dos corações onde ela ainda não tenha sequer encontrado abrigo.

Sem nos permitirmos a análises mais profundas, honestas e desapaixonadas, continuaremos a errar em bando, seguindo homens ao invés do Cristo; aceitando lobos por condutores de ovelhas; permitindo o crescimento do joio em meio ao trigo; abraçando ideologias humanas ao invés da cruz do Salvador (“Se alguém quer seguir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” Mc 8:34); misturando Sagrado e profano e elevando o segundo à condição do primeiro.

Sem arrefecermos nossas convicções alicerçadas no conhecimento humano (parcial e limitado), em detrimento do Amor Divino, continuaremos a buscar “as letras humanas das sagradas escrituras, a fim de criar raciocínios que esmaguem os pontos de vista de quantos não nos possam compreender no imediatismo da luta” (1).

Sem movimentarmos a coragem para rever verdades incômodas, continuaremos a invocar a “injustiça” da desigualdade das riquezas como se todos os homens tivessem o mesmo bom ânimo e disposição de labor para adquirir e a mesma moderação e previdência para conservar. Como se a solução para isso fosse um equilíbrio imposto à força, como se Jesus concordasse com ação por constrangimento.

Poderíamos continuar convidando o leitor a muitas outras reflexões, mas já não seríamos produtivos em tempos em que os textos breves são a preferência da maioria. Concluímos por aqui com uma última ponderação: Tudo o que é de Deus germina e se desenvolve de maneira natural, por conseguinte, tudo o que demandar força e diligência para ser “implantado”, só pode ser obra do homem.

Deus se reflete na ordem e harmonia do Cosmos.

Cristianismo é LUZ que se acende de dentro para fora quando reconhecemos nossa filiação Divina. É uma forma de viver, que se encontra inclusive naqueles que não professam crença alguma, mas que são verdadeiros homens de bem; e está ACIMA e sequer concorre com qualquer ideologia humana.

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(1) Pão Nosso, Cap.138, Francisco Cândido Xavier/ Emmanuel.

* Sandra da Silva Kucera é engenheira e empresária, casada, mãe de dois filhos, cristã e conservadora.

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