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Por Guilherme Azevedo
Aqueles que apoiam a ideia do imposto de renda negativo defendido por Milton Friedman, economista da Escola de Chicago Nobel de Economia, baseiam-se, recorrentemente, no argumento de que รฉ melhor o governo entregar o dinheiro para o indivรญduo escolher como gastar do que querer prestar os serviรงos, tais como saรบde e educaรงรฃo pรบblicas. Inclusive, รฉ com base nessa ideia que se fundamenta a defesa do sistema de vouchers e do prรณprio programa Bolsa Famรญlia. De fato, hรก uma lรณgica econรดmica nesse argumento, porรฉm, hรก outros fatores que precisam ser considerados.
Programas de renda mรญnima somente deveriam ser implantados em situaรงรตes emergenciais e em carรกter temporรกrio, com condicionantes rรญgidas, de modo que o estรญmulo para se tornar um beneficiรกrio do programa fosse mรญnimo, pois tais programas possuem incentivos perversos, tais como:
- Concede ao assistencialismo uma roupagem de direito, suprimindo o efeito estigmatizantes de โesmola estatalโ que costuma desestimular muitas pessoas por questรตes รฉticas a recorrer a tal benefรญcio.
- Ao ganhar carรกter de direito, incentiva o lobby polรญtico para aumento real do valor do assistencialismo e, praticamente, torna politicamente impossรญvel sua supressรฃo.
- Cria incentivo ao รณcio, pois o custo de oportunidade para uma pessoa ir para o assistencialismo e deixar de trabalhar e produzir passa a ser a diferenรงa entre o salรกrio ofertado em determinado setor e o valor do assistencialismo.
- Aumenta o custo da mรฃo de obra menos qualificada e, consequentemente, o custo dos produtos e serviรงos em toda a economia, pois o mercado passa a ter que oferecer uma remuneraรงรฃo suficientemente atrativa para as pessoas deixarem de receber o assistencialismo e decidirem trabalhar.
- Se o IR negativo considerar o nรบmero de filhos, estimula o aumento do nรบmero de filhos nas famรญlias mais pobres da populaรงรฃo, o que potencializa as chances de se criar um cรญrculo vicioso de explosรฃo da demanda por assistencialismo e, consequentemente, pressรฃo para aumento da carga tributรกria que รฉ um entrave ร produรงรฃo de riqueza.
- Incentiva a informalidade e a fraude. Muitos beneficiรกrios nรฃo se inserem formalmente no mercado de trabalho para nรฃo perder o benefรญcio.
No Brasil, o governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso iniciou a implementaรงรฃo de programas assistencialistas e, desde entรฃo, estamos vendo a sua intensificaรงรฃo e perenizaรงรฃo, como pode ser observado no discurso polรญtico unรขnime de defesa da manutenรงรฃo ou ampliaรงรฃo do Bolsa Famรญlia durante as campanhas eleitorais.
Por outro lado, a alternativa, que seria estimular a caridade, parece cada vez mais distante, talvez pelo peso do estado com sua alta carga tributรกria sem contrapartida sequer razoรกvel, talvez pelo maior distanciamento dos valores judaico-cristรฃos, talvez pela conjugaรงรฃo de ambos fatores.
Sendo assim, mesmo considerando todos os incentivos perversos dos programas assistencialistas de renda mรญnima, a realidade brasileira nos trouxe a um estado de coisas em que a supressรฃo de tais benefรญcios se tornou politicamente inviรกvel e indefensรกvel no curto e mรฉdio prazos. A populaรงรฃo mais pobre se tornou dependente dessa renda transferida pelos governos estaduais e federal.
O caminho mais prudente para se extinguir tais programas sem causar estragos sociais e humanitรกrios serรก pela desnecessidade de entrantes. Ou seja, por meio de um gradual enriquecimento da populaรงรฃo e, para isso, alguns requisitos sรฃo indispensรกveis, tais como:
- Capacitaรงรฃo das geraรงรตes futuras com relevante melhoria da qualidade na educaรงรฃo bรก
- Investimentos em infraestrutura e inovaรงรฃo tecnolรณ
- Desburocratizaรงรฃo e facilitaรงรฃo do empreendedorismo.
- Desestatizaรงรฃo: privatizaรงรฃo das empresas estatais.
- Reduรงรฃo do Dรฉficit Pรบ
- Reduรงรฃo do Custo Brasil.
- Aumento da seguranรงa jurรญ
- Melhoria da Seguranรงa Pรบ
- Resgate da cultura de valorizaรงรฃo do trabalho e da รฉ
- Exaltaรงรฃo de uma boa estrutura familiar.
- Responsabilizaรงรฃo criminal por abandono de incapaz.
Apรณs a redemocratizaรงรฃo, os brasileiros escolheram construir uma constituiรงรฃo que pressupรตe direitos sociais mรกximos e um Estado de bem estar social nos moldes dos paรญses ricos europeus, mas os constituintes se esqueceram que para gastarmos como um paรญs rico precisarรญamos, primeiro, enriquecer.
Entรฃo, estรก na hora de nรณs, brasileiros, entendermos que o governo nรฃo produz riqueza (no sentido estrito) e que tudo que ele dรก foi retirado (via tributos) ou tomado emprestado (via endividamento pรบblico) de alguรฉm que produziu. Chegou a hora de entendermos que aumentar o endividamento pรบblico para aumentar gasto pรบblico รฉ um ato de covardia contra as geraรงรตes futuras que terรฃo que pagar a conta. Chegou a hora de acreditarmos na forรงa de nossos talentos individuais e passarmos a ser mais conscientes e responsรกveis em nossas escolhas. Enfim, chegou a hora de assumirmos a responsabilidade de contribuir para a construรงรฃo de um futuro melhor para nossos filhos e netos.
https://blogdoguilhermeazevedo.blogspot.com/2020/09/bolsonaro-desiste-do-projeto-renda.html
